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09 de outubro de 2013 Arquivo Público e Histórico

Roteiro turístico vai levar estudantes pela história da comunidade negra de Rio Claro

Cerca de 150 professores-coordenadores e professores do Ensino Fundamental da rede pública municipal de ensino de Rio Claro começaram nesta semana a percorrer o roteiro turístico que conta um pouco da história da comunidade afrodescendente do município. Os passeios, que seguem até novembro, são preparatórios para atividades que serão feitas a partir do ano que vem, inicialmente com estudantes de quartos e quintos anos.

Os professores envolvidos são os que participaram do curso de capacitação “Comunidade Negra vai à Escola”, desenvolvido pela Secretaria Municipal da Educação em conjunto com o Arquivo Público Histórico de Rio Claro. Já o roteiro turístico está sendo desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo.

O objetivo é levar, a partir de 2014, alunos da rede pública municipal de ensino de Rio Claro para conhecer a história e o legado da cultura afrodescendente no município, em uma série de passeios que destaca a trajetória dos negros na cidade percorrendo importantes pontos ligados ao passado e presente da comunidade afro local.

A ação está veiculada ao programa Estação Turismo, que leva a comunidade para pontos turísticos da cidade. A diferença é que serão atendidos, em primeiro momento, alunos de quartos e quintos anos da rede municipal de ensino e estudantes da etapa dois da Educação Infantil oferecida pela prefeitura na Escola Agrícola, além dos que cursam a Educação de Jovens e Adultos (EJA). A capacitação dos professores da Educação Infantil 2 e da EJA já está na programação da prefeitura.

“Também será um primeiro passo para ampliação dos passeios usuais do ‘Estação Turismo’”, explica o secretário municipal de Turismo, Renê Neubauer, destacando o grande potencial didático-cultural do programa. A iniciativa tem apoio da empresa Rápido São Paulo e da União de Amigos do Menor (Udam).

A secretária municipal da Educação, Heloisa do Carmo, lembra que as atividades fora da sala de aula são parte importante dos trabalhos escolares e acredita que a iniciativa vai enriquecer o conhecimento dos estudantes sobre a história da cidade e da cultura afrodescendente em particular.

Segundo o turismólogo Ronei Grella, da Secretaria de Turismo, os pontos que serão visitados estimularão os estudantes a lançar um novo olhar para locais que estão carregados de importância sócio-cultural, “mas que na maioria das vezes passam despercebidos como fonte de informação histórica”.

A coordenadora de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal da Educação, Luciane Aparecida de Oliveira, destaca que aproximadamente 30 escolas da rede municipal vão participar dessa primeira etapa do programa.

Roteiro

O roteiro inclui o Lago Azul, onde ficava o Quilombo da Cabana do Mato ou Quilombo das Mulheres; Casa da Amizade, local de manifestações contemporâneas da comunidade negra; Jardim Público, que era fechado com grades e no qual os negros precisavam de autorização para entrar – normalmente, as negras que frequentavam a praça eram babás dos filhos dos barões de café.

O passeio também terá paradas na Praça da Liberdade, onde a comunidade negra tinha livre acesso e que, portanto, era alternativa ao Jardim Público; e Praça da Boa Morte, onde havia um antigo quilombo.

Um dos destaques do roteiro é a Praça São Benedito, referência histórica para a comunidade negra, onde está a Figueira de São Benedito. A figueira era uma árvore tradicionalmente sagrada na área mediterrânea, em toda a África e em partes da Ásia. Há relatos de que o plantio dessa árvore fazia parte dos rituais de fundação de cidades da região.

Também serão visitados o Clube Tamoio, que reunia expressiva parcela da comunidade negra; um terreiro, para destacar as religiões de origem africana; e o “Buraco Quente”, no limite do bairro Consolação e Bairro do Estádio, região onde está o cemitério municipal e o antigo leprosário (atual Bezerra de Menezes), e que era pouco frequentada, o que levou os negros a se aglomerarem no local.

O passeio terminará com visita ao antigo Largo São Roque – conhecido no passado como “Buracão”, local onde hoje se encontra o Colégio Koelle e que foi espaço de grandes manifestações culturais como o Tambu, o Samba de Lenço e o Samba; e à Chácara dos Pretos ou Chacrinha, área conquistada pela comunidade negra antes da abolição e que possuía grande concentração dos afrodescendentes.

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