A praça, que foi construída pela prefeitura com recursos do governo federal e contrapartida municipal, fica justamente ao lado do maior símbolo da estrada de ferro: a antiga estação. Começa na Avenida 7 e vai até a Avenida 3, entre as ruas 1 e 1-B, equipada com pista de skate, teatro de arena e fonte luminosa.
“Não sei de outro local em Rio Claro que homenageie os ferroviários”, nota Valteci de Melo, o “Bica”, diretor financeiro do Sindicato dos Ferroviários de Rio Claro, que representa toda a base da Companhia Paulista. “A iniciativa de criar a Praça dos Ferroviários e dar o nome do maquinista Palmínio Altimari é, portanto, mais do que justa, necessária para preservar a memória da ferrovia e resgatar a importância que teve para a população rio-clarense”, destaca.
Valteci, que conviveu com o homenageado e ainda atua no sindicato da categoria, diz que sente orgulho de ver seus colegas, os que já se foram e os que continuam vivos ou na ativa, terem o reconhecimento do povo, do município. “Precisávamos e esperamos por este reconhecimento durante todos estes anos”, afirma.
Empresário, Edson Lima viajou muito nos trens da Companhia Paulista desde a infância. Foi ali que conheceu o maquinista Palmínio, “homem sério, organizado, responsável, de bom trato”, define. Mais tarde, ambos fortaleceram os laços e o respeito mútuos quando ocuparam cargos na diretoria do Cidade Nova Futebol Clube.
O ex-ferroviário Antonio Loureiro também está feliz com a homenagem. “Fui ajudante do Palmínio muito tempo na manobra: ele maquinista e eu foguista, na época da máquina à vapor, com a 212 e a 200”, recorda emocionado, citando os números das locomotivas. “A homenagem a ele é merecida e acho que com o nome de Praça os Ferroviários, homenageia todos nós”, afirmou.
O trem, o futebol, a vida parecem manter uma ligação muito próxima segundo se pode depreender dos relatos de Lima, das lembranças de Bica e seo Antonio. Amizades sólidas ajudaram a escrever essa história. “E foram muitas, muitas”, reconhece Lima
Vice-presidente da União dos Ferroviários Aposentados (UFA), Roberto Antonio Leonardo, o Ticha, acumula doces memórias ao longo de seus bem vividos anos. Seu contato com a ferrovia foi intenso. Começou na Companhia Paulista e continuou na Fepasa, onde se aposentou. Morava, como ainda diz, “além da linha”, que era como as pessoas se referiam a parte da cidade que ficava do lado de lá da Rua 1, incluindo bairros como a Cidade Nova e Vila Paulista.
“Fiquei satisfeito em ver que Rio Claro tem, finalmente, uma praça dedicada aos ferroviários, que também homenageia, merecidamente, o maquinista Palmínio Altimari”, conta Ticha. Ele recorda que durante muitos anos a área permaneceu abandonada, cheia de mato. “Agora mudou, está bonita, com a revitalização do local e a escolha do nome da praça, que emociona a todos aqueles que viveram os bons tempos da Companhia Paulista”, conclui.
