Mario Nunes de Assis (59) trabalhou até os 40 anos na construção civil. Viu-se forçado a parar de trabalhar precocemente devido a uma lesão na mão direita. Após abandonar o setor da construção, não encontrou mais emprego, adoeceu e as desavenças familiares se tornaram mais freqüentes.
Como saída, Mario procurou na bebida alcoólica uma alternativa para superar os problemas. Em 2010 abandonou a companheira e três filhos, morando por mais de um ano na rua.
Sua rotina se resumia em consumir drogas lícitas: “Foi uma época em que eu ficava muito triste, entrei em depressão e desanimei de lutar pela vida. Me joguei no mundo… Após beber eu não dormia, desmaiava nas praças. Acordava no dia seguinte e saía para procurar mais bebida, pois para isso não precisa dinheiro, tem sempre uma ‘amigo’ que oferece”. Mario conta que bebia para se alienar do mundo: “eu sentia muita falta dos meus filhos, tive depressão e encontrava no álcool uma forma de esquecer de tudo”.
Em 2011, a equipe técnica de Serviço Especializado em Aproximação Social com Pessoas em Situação de Rua, do Centro de Referência Especializado em Assistência Social – Creas encontrou Mario em uma praça e com abordagens freqüentes foi conquistando sua confiança. “Com humildade, a equipe do Creas me fez ver que podia sair dessa e ter uma vida melhor… Aceitei a ajuda da equipe e fui encaminhado para um tratamento psicológico e de saúde no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas– Caps AD II de Rio Claro, pois além de viciado, estava muito desnutrido”
Mario conta que nos primeiros dias teve recaída, pois era tratado no Caps durante o dia, mas voltava para a rua todo final de tarde, onde convivia novamente com o vício. Sempre assistido pela equipe do Creas decidiu que faria o tratamento completo para abandonar a bebida: “Pelo meu pai e filhos, enchi-me de força de vontade e decidi me tratar para nunca mais voltar a beber”.
O tratamento no Caps durou pouco mais de um ano e quando demonstrou sinais de plena recuperação, os profissionais da instituição o liberaram.
Mario conta, ainda, que a equipe do Creas o ajudou durante todo processo de recuperação, atuando também no fortalecimento de vínculos com a família: “Eles me conscientizaram e sempre estiveram ao meu lado, isso me deu muita força de vontade para me recuperar e me reaproximar de meus filhos”.
Hoje, Mário está totalmente recuperado, vive em uma casa alugada enquanto aguarda o pedido de casa própria que fez junto à Secretaria de Habitação, também encaminhado pelo Creas. “Vivo de forma muito humilde, mas com dignidade, utilizando minha pensão para pagamento de aluguel, alimentação e outras despesas. Assim posso acolher meu pai, que tanto se preocupou comigo quando eu dormia na rua e que agora, em sua velhice, gasta sua pensão em medicamentos. Mas agora sei que tenho chances de ainda ter minha casa própria e qualidade de vida”.
Informações sobre o Creas e o Seas podem ser obtidas na Secretaria Municipal de Assistência Social, pelo telefone 3522-1930.
Sobre o Creas
Vinculado à Secretaria Municipal de Assistência Social, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social – Creas oferece apoio e orientação especializados a indivíduos e famílias vítimas de violência física, psíquica e sexual, negligência, abandono, ameaça, maus tratos e discriminação.
O centro realiza os seguintes serviços: atendimento a adultos e idosos vítimas de violência; atendimento a crianças, adolescentes e pessoas com deficiência que tenham sido vítimas de violência; apoio a entidades de acolhimento de crianças, adolescentes e idosos; acompanhamento de crianças e adolescentes no desacolhimento e descumprimento das condicionalidades do PETI; acompanhamento de adolescentes em medidas socioeducativas em LA/PSC; Serviço Especializado em Aproximação Social com Pessoas em Situação de Rua – Seas.
Sobre o Seas
A Prefeitura Municipal de Rio Claro possui um trabalho voltado para atender a população de rua. Trata-se do Seas, que tem por princípio o respeito ao indivíduo, seus desejos e expectativas, realizando assim um trabalho de longa duração com essas pessoas. O trabalho consiste na redução de danos (fornecimento de cobertores, kit higiene, lanche, acompanhamento na saúde, entre outros) e se estende até a emancipação da situação em que se encontravam os acolhidos, com sua inclusão social.